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Ocesp cobra reconhecimento para o setor agrícola em audiência sobre o Código Florestal
05/02/2010

 

Na audiência pública realizada no cinema de Assis, dia 3/2, o presidente da Ocesp, Edivaldo Del Grande, foi ouvido por uma plateia de 800 pessoas, a maioria produtor rural, mas dirigiu suas palavras principalmente à mesa, composta, entre outras autoridades, por oito deputados federais da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa mudanças no Código Florestal Brasileiro. “O homem do campo não prejudica o meio ambiente; se houve desmatamento no passado, o produtor foi incentivado a fazê-lo muitas vezes para conter doenças como malária e outras para gerar desenvolvimento à nação”, iniciou assim o discurso.
 
Preocupado com os efeitos negativos de mudanças ventiladas para o novo código florestal, Del Grande foi enfático: “assustam-me propostas que ignoram a história da nossa agropecuária; o cultivo agrícola de regiões tradicionais, como o café de Minas Gerais e da região paulista de Franca, a maçã de Santa Catarina, o arroz do Rio Grande do Sul, tudo isso sumirá se forem consideradas propostas radicais de recuperação da mata”.
 
Citando a intenção de se estabelecer reserva legal nas propriedades agrícolas, o presidente da Ocesp defendeu o sustento do agricultor. “Não podemos aceitar os 20% de reserva legal que os países ricos querem nos impor. A atividade agropecuária é uma questão de sobrevivência para a maioria dos produtores brasileiros. Alimenta a nossa população e traz divisas para o país. É a única atividade que gera balança comercial positiva há anos, movimentando a economia regional, gerando empregos no campo e na cidade, evitando o aumento da violência, da pobreza e do desemprego nos grandes centros urbanos”.
 
Del Grande fez questão também de ressaltar o trabalho feito pelos produtores, principalmente aqueles ligados a cooperativas, em favor do meio ambiente. “No seu dia-a-dia, o produtor rural é orientado e tem utilizado técnicas ecologicamente corretas como compostagem orgânica, plantio direto, curvas de nível, aplicação segura de defensivos agrícolas com recolhimento das embalagens vazias. O produtor reconhece e preserva as áreas de proteção permanente. Além disso, plantações de cana e de soja, por exemplo, típicas desta região, captam mais carbono na atmosfera do que emitem, contribuindo para a redução do chamado efeito estufa”.
 
Seu discurso foi interrompido por palmas, quando cobrou justiça para a conta do meio ambiente. “A proteção do meio-ambiente é uma obrigação de todos. Não é justo que a classe que menos polui arque com o ônus sozinha. Países desenvolvidos, que destruíram suas matas e florestas em nome do desenvolvimento, agora cobram do Brasil o papel que não exerceram no passado”.
 
O presidente da Ocesp finalizou ressaltando o perigo das pressões e interesses de outros países. “Um assunto tão importante como este, que vai mexer profundamente com o nosso país, não pode ser tratado em função de pressões políticas ou interesses econômicos estrangeiros, em vez do critério técnico ambiental de fato. Se a nova proposta para o Código Florestal for aprovada do jeito que está, os países de primeiro mundo terão o domínio sobre a produção agrícola mundial. Há muito jogo de interesse e esse aspecto não pode ser desprezado. Não podemos permitir que os países ditem as regras da nossa produtividade, de modo a prejudicá-la em prol dos maiores poluidores mundiais. Devemos, sim, cobrar que esses países façam sua parte, contribuindo para que as pessoas que vivem na floresta ou que promovem o reflorestamento sejam remuneradas por isso”.
 
A Ocesp apoiou a audiência em Assis e auxiliou na divulgação. Além de oito deputados federais, entre os participantes da mesa estavam o deputado estadual Mauro Bragato; os prefeitos de Assis, Ézio Spera, de Palmital, Reinaldo Custódio, e de Quatá, Marcelo Pecchio, também presidente do Civap; e representantes de entidades de classe como Faesp – Fábio Meirelles –, Fetaesp – Braz Albertini – e Unica – Marcos Jank.


 

 

 

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